a alma está faminta, ávida por um afago. assim como a minha, há muitas outras por aí, cheias de fome e inquietações. o papel torna-se destino para essas inquietações, que depois de se debaterem dentro do peito têm que sair. mas também podem ir parar numa foto, num vídeo, num site ou numa música. depois que elas saem, enchem o mundo de beleza. a missão desse espaço é abrigar pitadas dessa beleza, que são, no fim de tudo, o tal do alimento da alma....
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Cheers!
Só uma música.
E tudo já estará dito.
Cheers! :)
SAÚDE
(Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Eu sei que agora
Eu vou é cuidar mais de mim!
Como vai, tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Direto do túnel do tempo...
Esse texto conta uma passagem que rolou em uma viagem que fiz pra Itacaré, em 2005. E relendo o que eu escrevi achei beeem engraçado. Como a idéia desse blog aqui é colocar textos bacanas de outras pessoas e algumas coisinhas minhas tb, resolvi postar de novo. Gosto dele e enfim... tá aí. :)
JERIBUCA O QUÊ?
Confesso: sou do tipo que adora turismo ecológico. Quer dizer, adora também é demais, pq aí seria exagero e uma grande mentira. E como diz minha boa mãe, “Mentir é feio, menina!”. De qualquer forma, simpatizo com a natureza e gosto até de umas trilhazinhas (apesar de ser fumante confessa e convicta e sempre ficar arfante do meio da trilha para o fim).
Mas, na minha lista de lugares já visitados, consta uma bem-sucedida ida para Bonito (onde não fiz feio, se me permitem o trocadilho infame) e uma breve passagem por Cajaíba, com uma boa turma de amigos, onde fiz trilhas e tomei banhos gelados todos os dias. Mas confesso que este ano havia decidido não me aventurar por lugares ermos e encarar umas férias mais confortáveis, pagas, como todo bom proletário, em suaves prestações.
Isso posto e decidido, resolvi que o destino de 2005 seria Itacaré, na Bahia. Não sei por que tive a impressão de que teria férias sossegadas e nada aventureiras. Talvez porque não tenha lido NADA sobre a cidade, que figura em 10 de 10 listas de destinos ecológicos recomendados. Descobri isso ao chegar à localidade, muito linda por sinal. Logo de cara, fui informada dos perrengues, mas como sou uma pessoinha sussas e já estava lá mesmo, resolvi que tudo que viesse era lucro e me lancei de bom grado nos passeios oferecidos. Tudo ia bem, até o dia em que topei o passeio a uma tal praia de Jeribucaçu (nome que, graças à minha leseira, não conseguia repetir de jeito nenhum). No roteiro, uma caminhada de 35 minutos por uma trilha íngreme. A promessa era uma praia paradisíaca, onde ficaríamos durante algumas horas vendo as ondas verdes do mar baiano e curtindo a natureza. Depois de três horas de praia, seguiríamos por uma trilha de mais 1 hora e meia para uma cachoeira magnífica. A volta seria feita no final do dia, por uma pequena trilha onde andaríamos menos de meia hora rumo à van que nos levaria de volta ao hotel. Vendo assim, nada muito assustador. Por isso, eu, intrépida e feliz resolvi abraçar o passeio acreditando que teria um dia inteiro de puro deleite.
Mal sabia eu que a caminhada de dia inteiro que eu havia feito no dia anterior deixaria lembranças em meu corpinho sedentário. Resultado: fui para Jeribucaçu literalmente QUEBRADA. Isso, originalmente, já seria um ponto contra meu constante bom-humor. Depois de andar meia hora embaixo de um sol de rachar o coco, chegamos à praia, que é realmente maravilhosa. Só que caminhadas costumam dar fome. E na praia há apenas umas barraquinhas improvisadas, onde é possível comprar tapioca ou cocada, além de breja quente e água. Optei pela água, pq cerveja quente ninguém merece.
Depois de três horas dizendo “Não, obrigada.” para criancinhas que queriam me empurrar uma cocada que mais parecia pé-de-moleque (que eu tive que comprar, já que a pequena vendedora começou a chorar na minha frente) comecei, faminta, a fazer a tal trilha de uma hora e meia. Primeira parada: MANGUEZAL. Não seria um grande problema, se eu não tivesse que andar meia hora na lama DESCALÇA, já que estava portando meu par de havaianas cor-de-rosa, levado ao local por pura desinformação. Depois de aguentar a cara de tiração de sarro do guia, que olhava para meus chinelinhos e previa que eles ficariam enterrados na lama ao primeiro passo, tomei coragem e encarei a parada descalça mesmo.
No fundo do rio, pedras e tocos de árvore, que deixaram meus pés em frangalhos. Depois de dar topadas incessantes por meia hora, saí do rio com as unhas dos pés cheias de lama e a promessa do guia que de ali por diante tudo iria melhorar. Começava então uma trilha de uma hora, cheia de insetos e com subidas e descidas intermináveis. Minha canga estava em petição de miséria, meus pés estavam nojentos e machucados e ainda tinha que ouvir a todo momento um “Você entrou no mangue descalça? Porquê? Que vacilo, hein?”. E meu bom-humor constante, já não tão constante assim, indo embora a cada resposta bem-educada que era obrigada a dar. Depois de quase enfartar durante uma subida na trilha (devido ao já citado hábito do fumo), chegamos, enfim, à tão sonhada cachoeira.
Neste momento, lembrei que tinha um estômago. E que ele estava vazio desde às sete horas da manhã. (Ah, antes que eu me esqueça, já eram 3 da tarde). A cachoeira era realmente maravilhosa, então, resgatei minha última cota de bom humor e decidi: “Vou aproveitar”. Mergulhei na água e esqueci da vida. Por 20 minutos, já que meu guia começou a reunir o grupo 25 minutos depois de chegarmos lá. Eu havia andado o dia todo pra chegar a uma cachoeira maravilhosa e quando isso acontece, tinha apenas 20 MINUTOS para aproveitar. E ainda pra completar, tinha aquele guia com uma cara feliz, em que era possível ler “Hahahahaha. Otária!!!!”.
Respirei fundo, me enrolei na canga molhada e suja, momento em que lembrei dos pés machucados e da barriga vazia, e recomecei a caminhar. Neste momento, mais uma desilusão. A trilha de volta também era uma subida íngreme, também feita embaixo do sol, na qual eu também quase enfartei. Chegando à maldita van, tive que aguentar de novo a cara feliz do guia, que, de forma muda, zombava da minha desgraça. Relevei mais esse percalço e entrei corajosa no veículo. Meu estômago vazio roncava, meus pés doíam e a dobradinha canga molhada + ar-condicionado me fazia sentir um frio do cão (e eu estava na Bahia...). Mas, mais uma vez pensei: “Deixa de ser mala. Já está terminando”. Suspirei, fechei os olhos e tentei abstrair. Foi quando senti cheiro de Cheetos. Alguém havia aberto um pacote de salgadinho de queijo dentro da van!!!!! Em mim, um misto de revolta e alegria histérica, já que muita fome costuma nos deixar irracionais. Foi quando notei que, ao meu lado, uma garota degustava feliz a iguaria, que, aliás, ela não ofereceu para ninguém. Foi mais meia hora de tormento.
Nunca cheguei tão feliz a um hotel. No saguão, o garoto da companhia de viagens, também sorridente, me esperava para propor o passeio do dia seguinte. “Trata-se de uma CAMINHADA DE UMA HORA PARA UMA PRAIA DESERTA E PARADISÍACA. A trilha é íngreme, mas depois de hoje, será moleza”. No rosto dele, um sorriso largo, onde eu li, mais uma vez: “Hahahahaha. Otária!!!!”. Foi a última gota. Com lágrimas nos olhos, saí correndo (ou quase isso) para o meu quarto.
Mas me aguardem. Para o ano que vem eu já decidi: nada de lugares paradisíacos. Mereço um descanso em alguma selva-de pedra pelo mundo afora. Bom, mas isso é outra história, que vou pensar assim que acabar de pagar a minha maratona de férias parcelada....
Por Val Borges in Tuesday, March 29, 2005
About Caio Fernando Abreu...
Isso é uma vergonha, eu sei. Até pq, eu sempre tive vontade de ler. Mas ainda não li. Talvez por causa da minha mania de deixar alguns desejos pra depois. Talvez apenas por falta de oportunidade. Há uns dois meses recebi um lindo texto dele, que falava de começos. Era um momento em que se tentava começar algo. O que, efetivamente não aconteceu... Mas o texto é lindo, e a intenção no momento foi muito boa e, creio eu, sincera. Então, pra mim, o que restou foi o gosto bom na boca. E o lindo texto do Caio Fernando que posto aqui.
Porque, no final das contas, são essas pequenas coisinhas fofas que ficam mesmo, né?
Dois ou três almoços, uns silêncios. (CAIO FERNANDO ABREU)
Fragmentos disso que chamamos de "minha vida"
Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus –, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer – eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal – não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou – descuidado, também – em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
MULHER NEGRA (Léopold Sédar Senghor)
Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração, como o golpe certeiro de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura.
Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro, boca que faz lírica a minha boca
savana que freme com as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos do vencedor
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta, nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre a noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
à sombra de tua cabeleira.
Dissipa-se minha angústia, ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para alimentar as raízes da vida.
*************************************************************
O belíssimo texto acima é do intelectual africano Léopold Sédar Senghor. Ouvi falar de Senghor e desse texto durante uma oficina in-crí-vel sobre africanidades que fiz na PUC no ano passado. Chamava "Arca de Ébano" e era ministrada por um professor que eu adorei (e que, infelizmente, não faz parte dos quadros fixos da PUC. ah... a Academia...). Enfim, esse texto me tocou muito, porque foi a primeira vez que, como mulher negra, me vi retratada com tanta com tanta beleza e delicadeza em uma poesia.
Abaixo, segue uma breve biografia do autor, encontrada no site Net Saber. Vale a pena conhecer Senghor...
Leopold Sédar Senghor
Professor de instituto e de escola superior, poeta e filósofo, representou seu país na Assembléia Nacional Francesa entre 1946 e 1958. Foi um dos combatentes mais empenhados na independência de seu país, então uma colônia francesa, ainda que tenha advogado a manutenção dos vínculos econômicos e culturais. Entre 1959 e 1960, presidiu breve Federação do Mali (formada pelo Senegal e pelo atual Mali). Após a dissolução desta, tornou-se presidente do Senegal independente. Com o apoio do Partido Socialista Democrático, tentou, durante seu mandato como primeiro-ministro (1962 e 1970), melhorar as condições de vida da população, recorrendo à aplicação de um programa socialista moderado. Em 1980, renunciou tanto a seus cargos no partido como à liderança do país e aceitou a presidência da Internacional Socialista na África. A partir desse momento, consagrou-se mais intensamente à criação literária. Poesia e política surgem em sua obra como elementos da chamada "negritude", movimento do qual é o representante mais significativo, juntamente com Aimé Césaire, e que prega que a redescoberta pelos africanos de sua cultura constitui o caminho para o reconhecimento da própria identidade ("regresso às origens"). Aos 23 anos, Senghor foi o primeiro professor africano numa universidade francesa, tendo sido igualmente o primeiro intelectual negro a ingressar na Académie Française, em 1984.
O ETERNO RETORNO....
Acho que foram muitas as razões... Talvez, a mais forte delas seja a preguiça mesmo. Tenho problemas com regularidade. Sempre tive. E manter um bom blog é questão de regularidade. Tem que alimentar sempre, manter bonitinho sempre, dar carinho sempre. Não fiz isso, né?
Mas gosto daqui, gosto desse espaço. E resolvi não desistir dele. Por isso.... Eis que surje o primeiro post de 2008 (NO MEIO DO ANO. hahahaha. peeeeada).
Well, tentemos voltar a alimentar a alma. Pelo menos a minha. rss.
Bora ver no que dá. Será que agora eu consigo? rsrsrsrs
Welcome back. :)
* e pra recomeçar de verdade.... o blog volta de carinha nova....
domingo, 26 de agosto de 2007
ARTE DE AMAR
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(manuel bandeira)
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Vamos fugir... pra esse lugar, baby...
Meuuuuu, que saudades dessa vista.
Mato, mar e praia. Combinação perfeita.
Quero muuuuito!
AMO! :-)
Sobre mudanças...
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos
o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas
com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois,
procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos,
novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde
ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que
a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar
razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer
uma viagem despretensiosa,
longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá
coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Auxílio precioso - Ou Com os amigos participando é mais bacana :-)
Não sei por que isso acontece, mas toda vez que penso concentradamente num assunto e não consigo chegar a uma conclusão, depois de um tempo me vem à mente alguma música que tenha a ver com ele. Assim, do nada. E como um passe de mágica, parece que tudo faz sentido.
Essa é para compartilhar com aquelas cujas fichas demoraram a cair.
Se é para acabar, que seja com samba!
Com a palavra, ninguém menos do que Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Mulher sempre mulher
Mulher, ai, ai, mulher
Sempre mulher
Dê no que der
Você me abraça, me beija, me xinga
Me bota mandinga
Depois faz a briga
Só pra ver quebrar
Mulher, seja leal
Você bota muita banca
Infelizmente eu não sou jornal
Mulher, martírio meu
O nosso amor deu no que deu
E sendo assim, não insista
Desista, vá fazendo a pista
Chore um bocadinho
E se esqueça de mim
E se esqueça de mim
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Dura na Queda (êta título pertinente, sô...)
É do Chico, meu amorrrrr, e foi gravada pela Elza Soares no disco "Do coccix até o pescoço", de 2002. A gravação da Elza é um poder e a letra é linda.
Combina com a fase atual, combina com a filosofia de vida, combina com o Sol que está lá fora (graças a Deus a friaca dos últimos dias está dando uma folga).
Vale a pena.
Tá aí:
Dura na queda (Ela desatinou nº2)
Chico Buarque
Perdida
Na avenida
Canta seu enredo
Fora do Carnaval
Perdeu a saia
Perdeu o emprego
Desfila natural
Esquinas
Mil buzinas
Imagina orquestras
Samba no chafariz
Viva a folia
A dor não presta
Felicidade sim
O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas
Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir
Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar
O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
About August....
"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto”.
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Noções
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.
Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.
Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.
Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...
(Cecília Meireles)
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
“Vai ser”...
O presente não era bom, o passado já era longe
E então eu voltava minha atenção e energias para o “vai ser”...
O jardim do outro era mais bonito porque o outro era mais bacana e merecedor
Por essas e outras deixei, por muito tempo, de cultivar meu próprio jardim
Pensava no que viria, esse tempo em que, enfim, a vida seria cor-de-rosa
Aí, então, quando o “vai ser” virasse “já é” daria todas as atenções para meu jardim e para as minhas flores
– essas flores que amo tanto e levo na alma e no corpo pra sempre –
Nesse tão esperado tempo haveria tempo pra tudo
Para os meus desejos, meus anseios
Meus saltos, minhas coisas
Porque no “vai ser” a vida é sempre mais vida
Minha imaginação fértil sempre construiu o melhor “vai ser” de todos
E lá plantava e replantava meus sonhos...
Só que o “vai ser” não chegou
Porque o “vai ser” NUNCA CHEGA
O que eu tenho é o “já é”, o “é agora”, o “demorou”
É nesse tempo em que as melhores coisas são construídas
Depois de anos de tentativas e erros, e mais tentativas e mais erros, acho que cheguei no “agora mesmo”
É daqui que posso colorir o mundo e tentar fazê-lo melhor
O meu mundo
O seu mundo
O nosso mundo
O mundo todo
Para quando o “vai ser” chegar, meu “foi ontem” seja uma lembrança boa e quente...
Val Borges
Parece pintura, né?
Nem verão, nem inverno.
Minha estação é o outono. Sempre o outono.
Com suas cores e suas folhas.
Encaro até o friozinho... Mas pouco.
Olha só isso!!!!
Pra marcar o retorno em grande estilo, segue um pouquinho de Viña del Mar, no Chile. Um pouco de imagem pra dar uma quebrada em tanta letra nessa página.
:-)
Depois de um longo e tenebroso inverno...
Longo e tenebroso inverno mesmo. Porque por aqui, em São Paulo, andou fazendo um frio inacreditável.
E frio é aquela coisa.... Deixa todo mundo meio assim, meio chocho, meio encolhido, sem jeito, meio.... meio pela metade.
Mas enfim, estava na hora de retomar o projeto blog. E com força total. Vamos ver se agora a pessoa consegue ter um mínimo de disciplina. Taí uma coisa que eu não tenho: disciplina. Vamos ver se funciona agora. Vamos ver o que rola. Vamos ver.
:-)
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Amizade de Astros
Mas é bom que seja assim, e não procuraremos dissimular nem disfarçar, como se devêssemos ter vergonha disso.
Como dois navios que seguem cada um seu rumo e seu próprio objetivo, assim, sem dúvida, poderemos nos encontrar e celebrar festas entre nós, como já fizemos antes – e então, os bons navios repousavam lado a lado, no mesmo porto, sob o sol, tão tranqüilos que se poderia dizer que já tinham chegado ao seu objetivo e tivessem tido a mesma destinação.
Mas, em seguida, o apelo irresistível da nossa missão nos levaria de novo para longe um do outro, cada um sobre mares, rumo a paragens, sob sóis diferentes – talvez para nunca mais nos revermos, talvez para nos revermos uma vez mais, mas sem nos reconhecermos: mares e sóis diferentes provavelmente nos fizeram mudar!”
(Amizade de Astros – Nietszche)
terça-feira, 17 de abril de 2007
Coisas que fazem a vida valer a pena :-)
Um nascer do Sol desses lindos que a gente encontra nessa vida
sexta-feira, 30 de março de 2007
Mais Clarice....
Segue abaixo...
Be enjoy!
Como tratar o que se tem
Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa sua, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa que não tenha medo do que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas uma vez chamado com doçura e autoridade ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesmo que está relinchando de prazer ou de cólera.
Clarice Lispector